Existe uma razão para eu não ter preferência de pronomes ou conjuntos de linguagem. Sendo eu uma pessoa agênera, e portanto, sem nenhum gênero intrínseco, não me sinto particularmente contemplade com quaisquer conjuntos. Sei muito bem que tais conjuntos, ou como chamam atualmente "pronomes", não são de fato ligados a um gênero específico, mas pareço pertencer a uma posição minoritária em relação a isso, mesmo entre pessoas não-binárias.

Quando comecei as minhas investigações acerca de minhas sexualidade e identidade, sem avisar absolutamente ninguém, tomei o cuidado de escrever meus tuítes sem nenhum marcador de gênero (i.e. não me mencionava nem no masculino nem no feminino). Nos casos raros onde fosse inevitavelmente necessário definir um gênero para mim, usaria o conjunto feminino padrão (a/ela/a) -- na época desconhecia outros conjuntos. Em geral, as pessoas que me conheciam anteriormente continuaram a me tratar no masculino padrão (o/ele/o) enquanto pessoas novas variassem. Um caso notório foi de um rapaz, que não satisfeito em não encontrar nenhuma referência de mim, achou meu flickr, olhou as fotos e julgou melhor usar "pronomes masculinos" para mim.

Reparo muito como alguém se refere a mim. Se a pessoa se me refere com o conjunto a/ela/a, significa que ela reconhece minha transgeneridade; se a pessoa se a refere a mim com conjunto "masculino", significa que na balança de gêneros, ela achou que sou "de Marte"; se a pessoa usa o conjunto e/el-/e ou e/elu/e, que são as variantes mais comuns para gêneros neutros, eu fico feliz pois conseguiu ver além da binariedade.

Atualmente eu misturo vários conjuntos, com algum viés pro -/-/a, mas dizer que prefiro esse conjunto é um erro. Não prefiro nada, no máximo tenho alguns vieses para algumas construções. Por outro lado não espero que ninguém cis consiga compreender tudo isso, então se estou por perto dessa categoria de gente, aceito de bom grado a/ela/a.