São Paulo

03/05/2019

Depois de uma viagem cansativa num ônibus minúsculo, enfim cheguei a São Paulo. Assim que saí do metrô, procurei o hotel mais barato próximo à biblioteca Mário de Andrade. Consegui um cuja diária é de cem reais. Depois de pagar ganhei um kit que contém até camisinha. Agora estou aqui no quarto, que não é grande mas é confortável o suficiente. Ainda não decidi se vou no banco ou dou uma cochilada.

Após um breve cochilo no hotel, decidi dar uma passada no banco para pedir uma via novo do cartão de segurança cheio de números. Ao ser atendido, a gerente disse que não poderia arrumar um cartão novo pois agora estão usando o moderníssimo sistema que te obriga a instalar um aplicativo no celular. Agora toda vez que eu quiser usar um caixa eletrônico vou precisar me conectar à internet da operadora de celular e arrumar um código só pra isso enquanto o Bradesco me rastreia.

No almoço esbarrei num bar próximo e pedi um contrafilé. Enquanto esperava o almoço, entregaram um pão com um molho feito de azeite, picles, pimenta biquinho, pimentão, cebola e alho. O molho estava tão delicioso que acabei usando na carne também. Mal saberia eu, mas aquela foi a melhor refeição que comeria na cidade...

04/05/2019

A vantagem de ter me hospedado num (recém-descoberto) motel em frente a biblioteca é que pude sair na hora que começou o evento e chegar na hora. Antes de ir lá porém comi o pior pastel da minha vida. Por algum motivo misterioso colocaram limão no caldo de cana e paguei extremamente caro por isso. Assim que cheguei na cryptorave encontrei Bruno que estava de voluntário no evento. Conversamos brevemente e fui pra sala, que era um auditório mas na verdade era um local de exposição, pra esperar a abertura do evento. Conheci um casal de namorados e conversamos brevemente na escuridão. A abertura atrasou um pouco mas no fim tudo correu bem. Fiquei na sala por mais duas palestras e de lá dei uma volta na biblioteca pra me ambientar e comi um hambúrguer vegano e tomei suco de hibisco. Teve uma palestra que eu queria muito ouvir mas como atrasou muito e eram 2h da manhã acabei voltando pro motel.

Dormi e acordei às 8h. Tomei café na rua e às 9h voltei pra cryptorave. Duas das palestras foram num anexo da biblioteca, que fica atravessando a rua lateral. Numa das palestras acompanhei a Gi que estava apresentando e depois a vi comprar uns livros. Almocei o hambúrguer vegano e agora vou pra mais uma palestra.

Consegui ir em todas as palestras que me dispus a ir, exceto pela última, cujo palestrante falava baixo demais e eu tava na última fileira e bateu o cansaço aí resolvi ir embora de vez do evento, perdendo o encerramento e a festa que rolou logo em seguida. Fui num mercado achando que era uma farmácia e fui brindada com uma catraca. Nunca tinha visto catraca em mercado, parece que a cidade se esforça para ser um lugar bosta de se viver. Um morador em situação de rua me pediu miojo e suco e acabei comprando pra ele - foi barato até. A farmácia estava ao lado e não tinha catraca. Depois de sair dela, voltei pro meu quarto onde pretendo tomar banho e esperar certas situações se resolverem.

06/05/2019

Depois que a Cryptorave tinha acabado, pensei seriamente em ir embora da cidade. Felizmente perguntei pra taimeláine do twitter se tinha alguma exposição legal rolando em São Paulo e me falaram da Tarsila do Amaral no MASP. Dormi cedo para sair cedo e tomar café cedo e chegar cedo no MASP. Chegando lá tinha uma feira de antiguidades, que fez ficar olhando pros objetos bonitos da feira. Aproveitei pra desenhar uma estátua de Ísis e uma arroba do twitter. Quando deu umas nove e meia, pessoas começaram a surgir na fila pra entrar no MASP e me juntei a elas. O museu abriu pontualmente às 10h e pude admirar as obras da Tarsila com relativa tranquilidade. Importante mencionar que o Abaporu tinha fila pra dar uma olhada, tal qual uma Monalisa tupiniquim. No segundo andar tinha uma exposição com várias obras, sendo algumas emprestadas do Museu de Chicago. Olhei uns quadros por conta própria até encontrar uma excursão de adolescentes com uma professora explicando as obras maravilhosamente bem. Resolvi acompanhar o grupo e aprendi coisas e relembrei outras. Ao final da exposição, deu a hora de me encontrar com a galera do Colorides e fui imediatamente pro metrô.

Não tardei a chegar na estação de destino e me encontrar com Vitor lá. Caminhamos por quinze minutos até chegarmos no local do encontro: um lugar geek com um visual meio calabouço cheio dos jogos de tabuleiros. Aster e Isabela já estavam por lá. Conversamos todes um pouco antes de comer e jogar jogos de tabuleiro.

O primeiro jogo foi um de cartas envolvendo comida japonesa. Jogamos duas partidas e Vitor acabou ganhando ambas. Um pouco depois Sara chegou e ficamos conversando um pouco mais até decidirmos jogar outro jogo. Neste era preciso adivinhar a palavra ou frase através de dicas pelo tabuleiro. Não fizemos nada competitivo mas por alguma sorte consegui adivinhar várias palavras da galera.

Depois disso foi escurecendo e chovendo e Aster e Isabela deram carona pra todo mundo. Como meu horário de saída ia demorar mais um pouco, acabamos dando uma volta por umas lojas na Augusta e terminamos num restaurante vegano. Depois disso aí sim me levaram pra rodoviária e esperei até uma e quinze da manhã pelo ônibus.

Consegui chegar no trabalho morta de cansaço e na volta até dormi em pé no ônibus - coisa que eu nunca havia feito desde então. Fui assistir umas séries e logo peguei no sono. Teria sido o final perfeito se não fosse pela tragédia a seguir...