Praia Grande

24/11/2018

Ontem cheguei a Praia Grande e posso dizer que odeio os ônibus daqui. Por algum motivo os 🚃 têm DUAS CATRACAS: uma na entrada e outra na saída. Me enrolei com elas e quase fiquei presa. Caminhei por um tempo até conseguir encontrar o endereço correto. Graças à ajuda do namorado de Soren, arrumei um lugar bem baratinho pra ficar na cidade. Não é grande mas é o suficiente pra passar o fim de semana. Tem camas, tomadas, chuveiro, enfim tudo o que importa.

Me encontrei com Soren ontem mesmo: almoçamos, demos uma volta no centro da cidade e depois fomos à praia tomar água de coco e mergulhar no mar. Conversamos um bocado sobre planos, futuro e amenidades. À noite eu ia pedir uma pizza mas acabei pegando no sono antes disso.

Algo que foi impossível não reparar, embora não me tenha causado surpresa, foi o quanto Soren mudou. Além das mudanças físicas da T (voz grave, pelos no corpo, massa muscular), ele está mais confiante de si e feliz. E se ele está feliz eu fico feliz por ele.

25/11/2018

Hoje saí pra tomar café e depois passei a manhã descansando. Almocei e um pouco depois me encontrei com Soren e Ares. Passeamos pelo centro procurando uma sunga pra Ares, tomamos milkshake, e depois fomos para praia. Mergulhamos no mar até começar a chover. Depois fomos andando até a casa dos dois e segui até a minha. Tomei banho e agora estou esperando por eles.

Antes de continuar, preciso descrever Ares: alto, extremamente viado, gordo, bronzeado, com várias tatuagens, cabelo colorido de várias cores, uma barba grande e a íris completamente pintada de preto. Pareceu ser a alma gêmea de Soren.

Fomos num karaokê, que estava meio chato no início, mas o pessoal foi bebendo e se animando. Cantamos um montão de músicas, com Soren e Ares focando nos clássicos gringos e eu cantando músicas de gosto questionável. A noite foi bem divertida. Ficamos no karaokê até dar umas duas da manhã e passarmos no Burger King pra comer. Algo deu ruim nos sanduíches do Ares e ele mandou refazer tudo, o que me deu tempo de comer o meu. Caminhamos para nossas casas e fomos dormir.

26/11/2018

No domingo pela manhã estava eu esperando a hora passar quando o interfone toca: era Soren com a voz extremamente baixa pedindo pra eu descer e levar o celular. Quando desci ele estava visivelmente transtornado e chorando dizendo que ia se matar pois Ares não queria saber dele, e que ele só fazia mal pras pessoas e que sem Ares não tinha razão pra viver. Mandamos mensagem pra ele porém não respondeu. Tentei acalmar Soren mas não adiantou.

Subimos para tomar um gole de água e nesse momento Ares respondeu as mensagens. Depois que Soren tinha saído de casa Ares bateu a cabeça e desmaiou. Tentei explicar que não tinha problema em voltar pra casa mas Soren estava determinado a se matar. Depois de algum sofrimento e um cigarro chegamos a um consenso que ele deveria ficar internado num centro psiquiátrico. Procuramos por um táxi mas foi surpreendentemente dificil de encontrar.

Disseram que ao lado do supermercado tinha um ponto de táxi porém quando chegamos lá não tinha nenhum táxi. O segurança do supermercado me deu quatro números de companhias de táxi mas só um estava funcionando. Depois de quatro minutos o táxi chegou e fomos pro primeiro endereço de hospital psiquiátrico que tinha aparecido no google. Como tava fechado esse endereço, fomos pro segundo, que calhou de ser o hospital municipal.

Entramos no hospital e com as habilidades persuasivas de Soren conseguimos rápido atendimento no setor inicial. Logo após fomos encaminhados prum corredor onde aguardaríamos o médico nos chamar. Nisso reparei que Ares tinha mandado mensagens e dei meu celular pra Soren respondê-lo. Após um tempinho o médico nos chamou. Ele indicou uns remédios e nos encaminhou pro setor de medicamentos. Lá deram uns remédios pra Soren e pediram para voltarmos em quarenta minutos.

Aproveitamos pra irmos numa padaria comer, tomar suco, ir ao banheiro e fumar cigarro (este último item contra a recomendação da enfermeira). Ficamos lá um tempinho e Soren continuou conversando com Ares pelo telegrama enquanto fumava e tomava suco. Comi um salgado também. Voltamos pro hospital e a enfermeira disse que da parte dela estávamos liberados mas insistimos em voltar pro médico. Esperamos mais um pouco porém o efeito dos remédios começou a afetar Soren.

Ele dormiu nos meus ombros por um bom tempo até o médico nos chamar novamente. Perguntou como Soren estava, que respondeu que ainda estava sentindo o mesmo de antes porém dopado. O médico começou a preencher o formulário de internação quando duas médicas entraram e começaram a conversar com ele. As médicas pareciam ter saído de uma linha de produção pois estavam usando as mesmas roupas, tinham a mesma aparência e falavam juntas. Daí o médico se enrolou mais pra preencher.

Após uns vinte minutos ele nos deu o formulário preenchido e nos encaminhou para a enfermeira encaminhar os formulários pro setor adequado (tudo muito burocrático como vcs podem perceber). Daí nos encaminharam pruma sala pequena com outras pessoas igualmente esperando. Passamos um bocado de tempo nessa sala. As pessoas conversavam entre si. Tive de me perder no hospital e perguntar pra alguém quanto tempo faltava. Vieram nos buscar após duas horas.

Nos levaram pro setor de psiquiatria e fizeram perguntas pra gente, que da minha parte respondi com honestidade. Depois de deixar Soren lá, fui correndo conversar com Ares, que estava preocupadíssimo pois eu não podia usar celular no setor de psiquiatria. Após passar brevemente em casa, me encontrei com Ares e resumi a situação toda do dia. Descobri que eles tinham de fato discutido e que por uma infeliz coincidência Ares tinha desmaiado após trancar a porta de casa.

Ficamos falando sobre Soren por um tempinho e marcamos de nos ver amanhã (hoje). Fui pra casa e um pouco depois saí pra jantar.

27/11/2018

No domingo à noite choveu pra caralho e fui jantar num lugar de gosto duvidoso, que tocava jota quest no repeat e pessoas racistas estavam na minha frente, embora a comida estivesse boa. Deu problema com a maquininha de cartão do restaurante e fiquei esperando por meia hora até eu prometer que voltaria no dia seguinte pra pagar a conta (deu vontade de não voltar mas a trouxice falou mais alto).

Na segunda-feira acordei com a notícia da morte do tio do meu cunhado porém ao longo da manhã fiquei sabendo q Ares tirou Soren do hospital. Marcamos então de nos encontrarmos pra almoçar. Aproveitei pra ir fazer a barba e pagar a navalhada de trinta reais por isso. Quanto à morte em família não havia nada que eu poderia fazer pois o enterro foi na segunda mesmo e impossível chegar a tempo de onde estava. No almoço comemos picadinho de carne com batata, feijão, arroz, farofa

Depois do almoço demos uma volta no centro comercial pra eles comprarem coisas de mudança e fomos pra casa. Tentei cochilar um pouco mas não consegui, então arrumei as coisas, tomei banho e me arrumei pra deixar definitivamente o apartamento. Marcamos de nos encontrar onde eu e Soren tínhamos almoçado na sexta. Jantamos, conversamos um pouco mais e esboçamos alguns planos pro futuro próximo (basicamente Soren e Ares passarem um fim de semana no Rio de Janeiro).

Fomos pro ponto de ônibus e Soren elogiou a minha maquiagem. Conversamos um bocadinho até o ônibus chegar e então tive de me despedir deles. A viagem até a rodoviária da cidade foi rápida e o ônibus que foi pra São Paulo não tardou a chegar. A viagem intermunicipal levou um pouco mais de uma hora. Desci no Jabaquara e peguei o metrô para o Tietê. Na estação tinha dois guris fazendo raps improvisados e pensei em dar uns trocados porém eles foram embora antes disso.

Chegando no Tietê comprei a passagem pro Rio e fiquei rodando um tempinho o terminal esperando a hora passar. Aproveitei pra dar uma última checada no twitter e entrei no ônibus. A viagem em si foi tranquila, exceto quando já estávamos no Rio onde um carro tinha batido no ônibus e ficamos mais de uma hora parades no mesmo lugar. O ônibus não se feriu, o mesmo não pode ser dito do carro que bateu... o espelhinho esquerdo do carro entortou, aquela parte preta onde fica a placa caiu

Chegamos na rodoviária às 8h e ainda enrolaram um pouco pra tirarem as malas do ônibus. Depois disso, peguei ônibus pra casa, tomei café e cheguei na segurança do lar. Enfim, este foi o relato da minha viagem a Praia Grande.